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    Criptomoedas podem ajudar a reconstruir a economia da Venezuela


    Por Alexandre Dantas Lage • 12 de março de 2019
    tempo de leitura do artigo: 3 minutos

    A adoção de criptomoedas na Venezuela pode ser a chave para a reestruturação da economia do país, que enfrenta percentuais de inflação na casa dos milhões.

    Primeiramente, cidadãos venezuelanos viam nas criptomoedas uma forma de fugir da hiperinflação do bolívar venezuelano. Em segundo lugar, eles recorreram às criptomoedas devido a dolarização da economia venezuelana.

    Aaron Olmos, economista e professor de cripto na IESA.

    No entanto, essa adoção também pode ter um papel fundamental na reconstrução da economia na Venezuela. Pelo menos, é o que pensa o economista e professor venezuelano, Aaron Olmos.

    Para chegar a essa conclusão, Olmos analisou minuciosamente as razões para a dependência de seu país do dólar norte-americano.

    Conforme uma recente entrevista para a Coindesk, Olmos afirmou que a situação é complicada pois a oferta do “bom dinheiro” é escassa. De acordo com Olmos:

    Estamos em uma situação complicada pois a oferta do dinheiro bom, como o dólar ou as criptomoedas, é escassa pois as pessoas preferem guardar a utilizá-los. Por outro lado, o dinheiro ruim, nosso bolívar venezuelano, é utilizado pela lei.

    Para o economista, a situação da Venezuela só chegou nesse patamar devido à má administração da economia durante décadas. Assim, o país entrou em uma crise onde a demanda por criptomoedas cresceu frente à queda do valor do bolívar.

    Além disso, ele frisou que o dinheiro contabilizado na casa dos milhares ou milhões é limitado. Enquanto isso, notas de baixo valor nominal que não possuem nenhum poder de compra, são emitidas pelo banco central.

    Isso cria uma distorção do preço de bens e serviços no mercado pois o custo de produção é baseado no dólar no mercado interno. Todos sabemos disso: o bolívar é nossa moeda oficial, mas a moeda funcional é o dólar americano.

    Cripto pode ser a solução para a economia

    Mesmo em meio a uma crise sem precedentes, Olmos acredita que as criptomoedas podem ser uma solução para a economia. De acordo com o economista, a adoção é a chave para essa solução.

    Juntamente com a reativação dos meios de produção e a criação de novas fontes de investimento, a resposta para solucionar o problema econômico no país pode ser a introdução de um sistema de dupla circulação.

    Aliás, esse sistema já foi utilizado pelo Brasil em 1994, quando foi criada a Unidade Real de Valor (URV). Sua função era ser uma moeda escritural e estável, a fim de ajudar na transição da moeda inflacionada, o cruzeiro, para a nova moeda, o real.

    Unidade Real de Valor - Transição entre o Cruzeiro e o Real.
    Na época, CR$5.000 eram equivalentes a, aproximadamente, R$2,00.

    Portanto, para Olmos, as criptomoedas carregariam parte do fardo do comércio e o dividir com o bolívar.

    Dadas as condições, precisamos de um elemento alternativo de confiança, e não há nada melhor do que as criptomoedas. Enquanto isso, a política econômica se encarrega de fazer com que o bolívar recupere seu valor e seu poder.

    Além disso, Olmos acredita que não há nenhuma lei venezuelana que impeça o uso de uma criptomoedas para pagamentos como parte de um plano de reajuste econômico.

    Quando indagado sobre a utilização do Petro, moeda digital criada pelo governo venezuelano, como parte do plano de reajuste econômico, Olmos disse que:

    O Petro não funcionou pois ele possui uma estrutura baseada em intervenção, controle de poder e uso forçado.


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