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    Novidades no Caso Mt. Gox, Credores Poderão Ser Ressarcidos em Criptomoedas


    Por Alexandre Dantas Lage • 22 de junho de 2018
    tempo de leitura do artigo: 3 minutos

    Credores que possuíam bitcoin na infame corretora de criptomoedas, Mt. Gox, podem recuperar seus recursos após uma decisão judicial.

    De acordo com um documento publicado no site da Mt. Gox, a Corte Distrital de Tóquio aprovou hoje (22/06) uma petição que movimenta a empresa da falência criminosa para a reabilitação civil.

    Para os novatos no universo de cripto, a corretora Mt. Gox entrou para a história após ter sofrido um hack, o primeiro no setor de criptoativos de que se tem notícias, no qual um total de 473 milhões de dólares foram subtraídos de sua plataforma.

    Resumo de sua História

    Criada em 17 de julho de 2010, a Mt. Gox foi a primeira corretora de bitcoin a ser criada e era a única corretora da moeda virtual do mundo. Mesmo após a criação de outras corretoras, ela continuou sendo a principal plataforma de negociações de bitcoin devido ao grande volume negociado diariamente (em 2013, o volume negociado na plataforma era de 150 mil unidades de bitcoin/dia).

    Em 2014, quando aconteceu o ataque malicioso, estima-se que um total de 7% de todo o bitcoin já criado até o momento tenha sido subtraído da corretora. Na época, a corretora afirmou que um total de 850 mil unidades de bitcoin tenham sido roubadas (750 mil de seus clientes e 100 mil da própria exchange).

    O ataque malicioso foi considerado o maior da indústria de criptoativos até janeiro de 2018, quando a Coincheck, outra corretora de criptoativos, anunciou que um total de 500 bilhões de dólares foram roubados da plataforma após um ataque malicioso.

    Ressarcimento aos Credores

    Se a Mt. Gox permanecesse em falência criminosa, credores seriam ressarcidos em moeda fiduciária, levando em consideração a cotação do bitcoin em 18 de fevereiro de 2014 (USD $480/BTC – aproximadamente RS$1.104).

    mark karpeles

    Mark Karpeles, antigo dono da Mt. Gox

    No entanto, desde o ataque, houve uma grande valorização no preço do bitcoin, significando que o antigo dono da corretora, Mark Karpeles, receberia a diferença do valor atual para o valor da época, ao ressarcir credores da antiga plataforma. Isso significaria algo na casa das centenas de milhões de dólares.

    Credores solicitaram à corte que a corretora pudesse entrar em reabilitação civil, um processo legal que fornece margem para como os credores serão ressarcidos.

    Karpeles, que cumpriu pena por desvios de recursos da empresa, disse que ele não quer os fundos e que faria o possível para apoiar os credores em sua petição.

    A partir da aprovação da petição na Corte Distrital, os credores podem ser ressarcidos diretamente em bitcoin, embora as maneiras específicas de como a compensação será feita dependa do plano de reabilitação que será estabelecido em futuros procedimentos legais.

    É importante ressaltar que os credores precisam preencher um formulário de requerimento até 22 de outubro de 2018. Isso se aplica para todos os credores, mesmo aqueles que preencheram o requerimento durante o processo de falência criminal. Credores que perderam o prazo ou não preencheram na época podem participar desse novo processo.

    O administrador do patrimônio da Mt. Gox já vendeu milhares de unidades de bitcoin (BTC) e bitcoin cash (BCH), cujos recursos foram utilizados para cobrir os passivos da empresa em yen japonês (JPY). Muitos analistas acreditam que essas vendas tenham contribuído para a recente queda no preço do bitcoin, que coincidiram com a data da movimentação das unidades de bitcoin que a Mt. Gox possuía.

    Carteiras pertencentes ao patrimônio da corretora ainda armazenam um total de 137.891 BTC, avaliados em 3.3 bilhões de reais na cotação atual, além de moedas criadas na divisão da blockchain do bitcoin (hard forks), bitcoin cash e bitcoin gold.

    No documento, o administrador do patrimônio afirmou que não há planos para vender mais moedas, embora isso possa mudar a depender de como será definido no processo de reabilitação civil, que será estipulado pela Corte Distrital.

    No entanto, o documento indica que esse procedimento não terá início até fevereiro de 2019, garantindo que não haverá outra venda massiva de moedas por parte da Mt. Gox. Pelo menos, não em breve.


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